segunda-feira, 23 de novembro de 2009

de hora em ora-ção

Minha oração
é um verso feito pra durar,
pra morrer de rir,
para inspirar qualquer vida
em mim...
Minha oração não é minha
foi inventada
para me acompanhar




- de hora em hora um ora.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

sem proporção


Tem dia que, por mais bonito que amanheça, não deveria existir. Talvez fosse melhor o desencontro com felicidade no escuro. O passo não existiria sem rumo, as pessoas não lhe causariam má impressão, nem mesmo o sonho seria possível. Acontece que os dias mais sujos e frios insistem em acontecer. Acordando em nós uma desistência sem fim. Uma dor sem causa e sem cura. Uma dor que insiste apenas em doer. E a dor, ah!, é relativa: Só quem sente sabe. Parece até egoísmo concentrar tanto sentimentalismo por nada. Sem causa, sem bandeira nem partido. Mas partindo da dor o desconhecido é cru e não alimenta a alma. A palavra não preenche, a fé se interroga, os abraços não duram. Fosse preciso inventar um dia, por mais feio que amanhecesse, para circundar a dor, inspiraria em todo esse lamento de hoje. Em todo esse tormento de sempre. E que fique o dito pelo sentido ao atravessar sem transpor.


Meu refúgio é a vida.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A crônica é feminina

Quando acordei era frio, a cama parecia me abraçar sem querer sair de mim. Uma preguiça lenta esticava meus braços e pernas. E eu levantei pisando no chão frio de cerâmica, pés tão quentes. Bocejei o peso do mundo.


A primeira aula era de Biologia, invertebrados, tudo fazia lembrar a viagem à Paraty no ano de 2007. O pepino e a estrela do mar nas mãos da professora Vivi. Aquela cidade esconde uma serenidade veemente literária.


Mas a proposta para essa sexta-feira era escrever uma crônica na aula de Produção Textual dada impecavelmente pela professora Raquel.

Ela não era muito alta, uma pele lúcida e pálida deixava à mostra formas definidas e um cabelo num louro a iluminar toda a sala. Mas havia nela uma certeza absoluta e madura. Duas tatuagens estrategicamente localizadas e um conhecimento infinito que passara aos alunos com fiel didática.

Eu não tinha tema para àquela crônica que ela havia proposto. Contudo, e exclusivamente hoje, ela vestia um vestido floral que despertava alegria. Em um dia cinza-sujo com avenidas encharcadas de chuva. O vestido era solto e combinava com um céu azul inventado e a minha falta de idéia.

Acontece que não havia espaço nem outras cores capazes de sutilmente entrar por essa sexta-feira floral e poeticamente feminina.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

árvore e muda



Era uma espera de menina ingênua,
pele lúcida de pálida e cabelos livres
contornando passos arrastados a esperar.
Mal caia o sol e ela estava no portão de casa
esguia, a saia num rosa lavado e a blusa branca
cheirando a limpeza, escondendo num
transparente-sensual suas formas de menina e mulher.
O logradouro em paralelepípedos desenhava
naquela imaginação adolescente a noite que viria...
O silêncio que invadira não era mais mistério.
Ele viria, ela estava certa. E veemente tonta.
E a fiel castanheira, assistira a cópula ali mesmo
fazendo sombra à luz do poste,
no crepúsculo da maturação
da menina
de alma nua
[no meio da rua.]


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

entre tantas flores





Para cada cor um








espaço.

Em cada flor
uma

manhã
entre tantas
[só um abraço]

Para cada amor um g i r a s s o l
num raio de luz
a amarela


flor do s o l




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

a palavra não consegue dizer embora amor ela sinta.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Alguém me empresta um verso sujo?
uma poesia vivida em outra vida
mas que se pareça comigo, assim, de perto:
menos feliz e triste.
Qualquer frase que arrebata
ou um pensamento que bate leve
e leve todos os sonhos
sem traze-los, sem faze-los elos, ou de volta.
Ninguém me espera com uma folha em branco,
um sorriso-viagem, uma forma de habitar.
Qualquer letrinha miúda...
Qualquer verdade-verdade...
Qualquer amor e amar...

domingo, 27 de setembro de 2009

É preciso trocar os porta-retratos...


Entre todo esse circulo fechado tem um buraco. Um buraco negro que engole em sua volta tudo que está vazio. E em meio tantos livros, tantas fotos, infinitos remédios, acessórios e maquiagens espalhadas pelo quarto, um porta retrato está vazio.


Foi preciso tirar da imagem um resguardo. Um acontecimento que não pode mais existir. Toda vez que alguma coisa muda o circulo fica menor. O meu circulo de viver. Porque certa vez foi preciso limitar.

Eu olho tudo em volta e alguma coisa me diz que preciso abandonar a superstição. Jogar fora alguma e exclusiva mágoa. Faz-se tão necessário organizar o que se deve e o que não se deve sentir que minha cabeça anda tonta. As pessoas andam falsas ou pelo menos parecem estar sendo [nada]. Não que tudo esteja fora do lugar, nunca esteve. O lugar é que abriga o ‘tudo’. Por isso eu ando meio fora de rota e de todos. Meu lugar não é fixo muito menos meu espaço é seguro.

Por tantas vezes mudei os livros de lugar, revirei gavetas, fechei algumas cartas, joguei outras fora. Liguei mas também não liguei. Você e o silêncio às vezes são bons. [Confesso] que revelei algumas fotos pra ter certeza de que não estou sozinha.

Mas hoje está tudo tão revirado que eu achei um espaço (pequeno, bem pequeno) ali: no quarto revirado num dia de domingo implorando segunda. Um espaço vazio. Sem foto, sem vida, sem cor, sem nada. Um porta-retratos vazio. Eternizado pela ausência. É preciso trocar os porta-retratos quando se tem uma foto. Quando ele está vazio não há o que trocar. Eu sou meu eterno porta-retrato.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Amor só funciona no gerúndio.


Eu descobri que sou imprevisível. Gosto de pensar que as coisas boas vêm como grandes surpresas. Porque assim as surpresas se tornam eternas. E se tornam mesmo. Um beijo doce e quente inesperado. Uma mordida de leve enquanto eu durmo. O barulho de uma mensagem no celular que vem de dentro da bolsa. E de dentro da bolsa um papel amassado que diz: ''te amo'' em letras tortas. Ou até a vitamina de abacate na cama - mesmo que só tenha a vitamina - é o melhor bom-dia do mundo! Porque amar é. E sendo amor não interessa o resto. Não interessa se a gente vai dividir a conta. Se a gente prefere ficar no meio do mato do que no luxo. Se a gente engorda. Ou se a gente virou cinéfilos de filmes em 3D infantil. A gente acabou dividindo a família, os amigos, o mesmo prato, a fiel e eterna escova de dente, os problemas, a ignorância, os medos e a dor. Mas o essencial mesmo é que somos imprevisíveis. Mesmo você conhecendo meus mimos e minha antipática TPM você sempre arruma um jeito e me faz a pessoa mais boba e apaixonada do mundo quando chega com o chocolate (ou a champagne!). Tudo isso a troco de que? Boas histórias? Bons momentos? A lingerie muda e minha loucura também. Na mesma intensidade que seu time de futebol ganha e perde. E a gente continua. A gente continua sendo melhores amigos, confidentes, loucos, desvairados e amantes. Funciona assim: a gente abre parênteses (inventa um mundo!) e fecha parênteses. O que esse amor construiu chama-se fidelidade. E eu não falo dessa fidelidade que apenas se faz ser, eu falo de uma vida que estamos construindo. Num gerúndio sem fim. Te amo.

(existem certos pensamentos que se passarem em branco, passam! Publicar foi a maneira de exteriorizar!)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


abre parênteses (a gente inventa um mundo!) fecha parênteses.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Eu me recuso
espero acreditando
num gerundio infinito
incluo: dizendo mais!
Quando raro o céu
sentir azul
se mostra inteiro
à margem macia areia nas veias,
e vias do meu coração.