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domingo, 11 de janeiro de 2009

Carta a um amigo

Querido,

Como vai? Espero que esteja bem. Até porque quando me lembro de você me vem aquele sorriso sincero e lindo em mente. Aí me sinto em paz. E sei que a vida (mesmo que nos meus sonhos e lembranças) anda bem. Pois é. Resolvi te escrever porque aqui as coisas não vão bem. É que o tempo passou e esqueceu-se de me levar com ele. Deixando um vácuo no presente dos meus dias. Sabe como é... Eu não sei me adaptar.Por isso não será dessa vez. E a cada dia que se passa eu me sinto mais só. Por incrível que pareça. Vou sentir saudades daquilo que não consegui ser. Nem ter. Vou verificar o relógio mais vezes e esquecer o tempo também. Que é pra não sofrer. Se for possível vou lembrar sem esperanças daquele tempo bom e pleno. (a esperança é boa, mas nos engana). Recordar toda aquela magia que só eu conseguia sentir. Ali sentada. Imaginando e admirando. Ali eu era uma viajante. Do tempo e da lua. A vida em 50 minutos. Uma lição pra sempre. Ah, querido! Essa vida é mesmo injusta não é mesmo? Veja bem que ironia é viver. Ser dado de presente sem poder ser pra sempre... Presente. Ganhar e perder. Se não é ironia não sei então. A verdade seja dita: Quando gostamos de alguma coisa que fazemos, fazemos bem melhor. E eu sabia fazer o meu melhor naquele tempo. Porque o meu melhor era estar ali e ao mesmo tempo e todos os lugares. Enquanto a história fluía não havia barreira geográfica entre mim e resto do mundo que criado ali. Hoje tento resgatar em mim o que aprendi, pra decorar. Imprimir. Colar. Deixar grudar na alma. Mas ao mesmo tempo sei que existem coisas que se apagam sem a gente perceber. Já estão se apagando. Aí meu coração corta. E sabe que a partir de hoje vai ser assim. Terei que pontuar os meus ais e uis sozinha. Terei que debater comigo mesma. Terei que ser, aluna, dos dias. Terei que sentar e escutar. O imaginário esvai. Meu super-herói se foi. Mas sei que no final posso rir de agora. Desse sentimento de perda, mesmo eu nunca tendo ganhado. Só que o final está longe. E eu não gosto de distância em hipótese alguma. Aliás, ninguém gosta. Por isso, te escrevo. Só assim posso me sentir a 50 minutos de você. Ou com você. Com você aprendi que aprender vale o peso da pena. Mas vale. Nunca pensei que fosse admirar tanto um ser humano. Que fosse me apaixonar por idéias malucas. Nunca tinha pensado em nada do que penso hoje sem a aquela voz. Ali, gritando a verdade na minha cara. E escondendo esse coração mole. Aprendi. E seria injusta comigo mesma se eu fizesse vista grossa de você. Por isso roubei fragmentos de você pra mim. Que era pra não te perder...assim. No mais, querido amigo, venho a te escrever daqui pra frente. Qualquer coisa pra gente amarrar o tempo com a gente. Juro me comportar bem. E tentar ser melhor a cada dia. Tão boa quanto você.




Esse texto vai para um amigo especial.
Vai pro coração.

2 comentários:

Bruno disse...

Tem que transformar a cada passo que dá. Transformar e ser transformado constantemente. Vc fez isso o tempo todo, ouvindo e sendo ouvida, mesmo que em silêncio. Um pedaço fica tbm, pode ter certeza.
Lindo, lindo e lindo...a aguá não para de brotar.

Dedey (Audrey Fernandes) disse...

Nossa gostei muito dessa carta.