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domingo, 25 de janeiro de 2009

Vida bagagem.


Atraso o tempo de recomeço. Adianto meu lado de espera. E atrás do tempo a demasiada coisa que não me agrada. Pensei em ressuscitar a palavra, recitei o verso sujo mesmo. Era tudo ou nada. Separei as faixas da estrada. Ultrapassei. Joio e trigo. E resolvi que seguir em frente era voar. Descansei uma semana. Malas, dinheiro, livros, make up e um resto de esperança amadurecida. Porém, verde. Desconfiei do tempo. Escondia infelicidade. Acinzentado com nuvens amarrotadas para logo chover. Fui. Escrevi pensamentos bons. Subi montanhas, pisei descalço, comi farinha com feijão, revivi fotografias, senti o sol e chuva como alívio, não te encontrei dentro de mim. Suspirei. Seria melhor agora? Despercebi a lira que me afligia. Continuei... E fumei mais do que devia. Bebi amarguras e lucidez. Casei o tempo com a minha bagagem. Eu devia mesmo descansar. Esqueci o passado, o passado lá e resolvi voltar. Uma semana acabara. Sexta feira, uma volta e meia, chegaram os dias sem sombra nem luz. Não encontrei perdão. Verdade ou mentiras. Desencontro comigo e com a vida. Mais uma vez quis ser inteira, não consegui. Disfarcei a rotina, inventei receitas... Emagreci. Dois dias o telefone toca. O desespero passa e o encanto também. Nova mensagem! Nova oportunidade de aventura. A mesma intuição. O velho sinal. Eu ainda sinto a mesma coisa. Era a vida me convidando e pagando a conta. Ainda bem que existe passado. Poesia e passagem de volta. Passou.



3 comentários:

Guilherme disse...

Lindo texto, Helena.
Li umas 5 ou 6 vezes!

Rafs disse...

Olá minha cara. Que escrito esse... me lembrou (de cara) uma música inteira:

"Dói meu coração partido,
Foi desilusão no piso,
E no alto andar janela aberta para o meu olhar,
Perdido a brisa simples desse amor.

E na casa aberta desse trovador,
Morada nova em frente a estrada antiga,
Voz do eterno rio de tristeza e dor.

Faz-se festa imensa,
solto a voz na paisagem.
Reflete o brilho claro do meu raro errar."

(Vitor Santana/ Mariana Nunes)

Além disso, deixo um beijo, e o desejo de um dia bom!
; )

Raquel disse...

Ao ler seu "miniconto prosopoético" percebi uma ligeira mistura da nostalgia e melancolia de Clarice Lispector misturada com a simplicidade profunda de quem conhece a vida mais que os outros contida na poesia de Adélia Padro... penso, no entanto, que poderiam ser postos alguns recursos gráficos - pontuações ou a ausência delas - no luigar de tantos pontos finais, afinal de contas "existe passagem de volta" e no aspecto gráfico literário deve conter isto!

Acho que você nasceu para a literatura!